Manuel's profileO outro lado do espelhoPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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September 17 Novo blogJuly 23 Rabiscos ao jantar #3July 19 Que super-herói és tu?Bolas! E eu que não gosto do Super-Homem...
Your results: You are Superman
July 13 Um conflito parcialHoje, quinta-feira, Israel anunciou um bloqueio total ao Líbano. Hoje, durante a noite, a aviação israelita bombardeou o aeroporto internacional de Beirute e o sul do Líbano. Na operação morreram 28 pessoas. Dez dessas pessoas eram crianças... Quem tem acompanhado as notícias sabe que esta acção está a decorrer no seguimento do rapto de dois soldados israelitas e que, supostamente, os bombardeamentos fazem parte de uma "missão de resgate". O que me enoja é que para socorrer dois soldados, profissionais militares treinados para sobreviver, o governo israelita considere válida a morte de dezenas de inocentes. Sejam homens, mulheres ou crianças, tanto faz. E sabem o que me irrita ainda mais? A maneira como a imprensa americana fala no assunto.
“The Lebanese guerrilla group Hezbollah surprised Israel with a bold daylight assault across the border on Wednesday, leading to fighting in which two Israeli soldiers were captured and at least eight killed, and elevating recent tensions into a serious two-front battle.”
É assim que começa um artigo publicado hoje no site do New York Times. O periódico norte-americano faz uma recapitulação bastante completa dos eventos que levaram à situação actual. No entanto, apenas faz referência às crianças mortas quase no fim do artigo e, mesmo assim, refere apenas sete, identificando-as como filhos de um membro do Hamas que terá morrido também no bombardeamento.
Isenção Jornalística, onde estás? Temos saudades tuas! June 29 Imagens curiosasAqui estou eu nos Açores para mais uma dose de carrinhos de corrida. Entre hoje e domingo vou aqui estar a trabalhar no gabinete de imprensa do Rali dos Açores, mas só no último dia é que vou ter tempo para passear. Para já, a minha área de acção limita-se ao hotel e a umas escapadelas ocasionais para encher a barriga ou para beber um copo à noite.
Hoje fui almoçar à Casa Marisca. Comi umas belas lapas grelhadas seguidas de meia vaca com batatas e, enquanto atacava o bife que dominava o meu prato, reparei nesta imagem curiosa:
Não vos parecem estranhos estes azulejos? Mulheres aladas a lançar labaredas do rabo?! (Anjos por fora, o inferno por dentro...) :-p June 23 Futebolismo crónicoOk. Chamem-me apátrida, chamem-me o que lhes der na cabeça, mas este patriotismo inflamado que aparece sempre que a selecção nacional dá uns passeios pelo estrangeiro faz-me alguma confusão. Calma, eu adoro Portugal, adoro esta terra, as pessoas e até muitas das características que nos definem como povo, mas, talvez por isso mesmo, sou altamente crítico. Sabem, parece-me que as pessoas aderem ao espírito do “futebolísmo” pela mesma razão que aderem ao alcoolismo: para esquecer. E, de facto, é mesmo isso que acontece.
Ainda faltavam algumas semanas para o arranque do Mundial e já começavam a aparecer bandeiras penduradas nas janelas e carros decorados com cachecóis e bandeirinhas presas nas antenas. Até aqui tudo bem. É natural. No entanto, comecei a reparar que isso era mais evidente em zonas menos abastadas, que as primeiras pessoas a aderir à “febre patriota” foram precisamente aquelas que o país tem regularmente tendência para esquecer…
Por um lado é até comovente. Lá está um das características que adoro nos tugas: não somos muito dados a guardar rancor. Infelizmente, isso deve-se também a uma que eu odeio, que é o chamado “deixa andar”. Falamos muito, queixamo-nos muito, mas continuamos a não fazer um cu… e, sim, nisso acho sou tão tuga como o próximo.
Tenho visto os jogos da selecção. Claro. E tenho torcido pela vitória, mas não me consigo esquecer da palhaçada que são os nossos sistemas de justiça, saúde e educação. Não me consigo esquecer que, há não muito tempo, uma manifestação de extrema-direita, supostamente anticonstitucional, foi aprovada pelo Governo Civil de Lisboa. Não me consigo esquecer que a Direcção Regional de Educação de Lisboa fecha escolas exemplares para vender o espaço a cadeias hoteleiras. Não me consigo esquecer que temos uma taxa de desemprego que, além de altíssima, não equivale à realidade (mesmo os resultados do INE, que indicam 429 mil desempregados, não incluem pessoas que tenham trabalhado pelo menos uma hora durante as três semanas anteriores ao levantamento… mesmo que estejam à procura de emprego…).
Não dá. Não consigo. Por muitos golos que a selecção marque, não me consigo esquecer.
Pronto, e agora já tenho alguns de vocês a chamarem-me derrotista, pessimista, idiota ou pior. Alguns já estão a pensar, “olha, mais um daqueles que só sabe dizer mal”. Mas enganam-se. Sabem o que me irrita mesmo? Eu digo-vos: Isto podia ser tão melhor do que é. June 12 "Dolce fare niente"Estive de férias na semana passada. E que bem que soube passar largas horas sem fazer nada...
Tenho dito. June 02 Rabiscos ao jantar #2May 31 Os Salteadores da Casa PerdidaOk. Eu sei que tinha ficado de contar como estava a correr a minha procura de casa. A verdade é que não encontrei nada que se encaixasse nos critérios que tinha definido. Sim, têm razão, eram um pouco irreais (T1 por menos de 80 mil euros, numa zona porreira de Lisboa)... já devia ter percebido que tenho tendência para acreditar em milagres e para sonhar alto.
Mas nem tudo perdido. Antes pelo contrário. A busca continua, embora num registo diferente. A minha vida deu algumas reviravoltas nos últimos meses (no bom sentido) e os critérios da busca também. Para já, não quero falar demais antes de ter notícias concretas, mas, se tudo correr bem, é natural que tenha boas novas sobre isto durante a semana que vem.
Seja como for, durante a minha pesquisa inicial, aprendi algumas coisas que me vão dar jeito. Antes de mais nada, aceitei finalmente (e com alguma luta) o facto de vivermos num país que, como comentou um amigo meu, "é o mais avançado do terceiro-mundo". Comprar casa sozinho com os ordenados que a maioria das pessoas ganha (e atenção, eu disse "a maioria") é quase impossível. E eu nem ando de carro! As pessoas que vivem em sítios mais recônditos acabam por gastar mais dinheiro na gasolina, seguro e manutenção do carro do que o que poupam por estarem a viver no cu do mundo.
"T1, cave, 25 m2, semi-restaurado: 75 mil euros"
ou
"T1, 30 m2, na freguesia de Anjos, a precisar de obras no WC e cozinha: 80 mil euros" (este é mesmo junto ao Intendente)
Estes são só alguns exemplos da estupidez de preços que pedem em Lisboa. É claro que encontrei algumas coisas melhores, mas havia sempre um "catch" qualquer. Às vezes era o sítio (Intendente, Casal Ventoso, etc...), noutras vezes era o espaço (25 m2?!?!), noutras era a falta de janelas... bah!!!!
.|.
O lado bom da coisa é que o facto de não ter encontrado casa naquela altura deu-me espaço para seguir outro caminho, um caminho que me tem deixado sorridente todos os dias e que vai ainda ser motor de muitas e boas mudanças.
Para quem não sabe do que estou a falar, vão dando uma espreitadela aqui de vez em quando. Serão actualizados na altura certa. ;) Inversus #7A sétima edição da revista Inversus sai esta semana e o meu texto está nas páginas 30 e 31.
A edição em papel deve estar prestes a chegar à rua e é gratuita. Podem encontrá-la em bares, cafés, universidades, bibliotecas, teatros, lojas e espaços culturais da Grande Lisboa e da margem sul do Tejo. Uma boa aposta é o Bairro Alto, mas sejam rápidos a agarrar a vossa cópia... elas têm asas!
Para os que deixaram as revistas voar (e não anda com uma espingarda "pressão-de-ar" às costas), podem sempre dar uma vista de olhos na edição on-line (em formato PDF).
May 25 Rabiscos ao jantar #1Já tinha referido aqui que tenho a mania de rabiscar nas toalhas de papel das mesas de restaurantes. Ou melhor, não é uma mania... não é uma escolha, não é uma opção. É um impulso. É mais forte que eu.
A partir de agora vou tentar lembrar-me de começar a trazer os rabiscos comigo, "sacaná-los" e colocá-los aqui no site para a malta ver. Na maioria das vezes são só umas bonecadas parvas de qualidade questionável, mas, de vez em quando, assim muito pró raramente, aparecem algumas coisas mais engraçadas. Mas eu sou suspeito. Vou deixar a opinião para os especialistas: vocês.
Assim sendo, aqui ficam os primeiros de uma série que promete. Foram feitos por mim, a minha Inês e o Rui Falé num jantar no Bairro Alto.
O meu:
O da Inês:
E o do Rui:
May 03 So much to do. So little time.Está cada vez mais difícil arranjar tempo e disponibilidade cerebral para escrever qualquer coisa decente aqui no blog. Não é que não tenha nada para dizer. Antes pelo contrário. Não me faltam opiniões, sugestões ou simples devaneios malucos, seja sobre a humanidade, pinguins ou essa estranha espécie de marretas com sorrisos amarelos e contas bancárias cada vez mais apetecíveis, os políticos. Mas deixemos a vida selvagem de parte por hoje e passemos às novidades. Para começar, a minha banda deu o primeiro concerto público no passado dia 22 de Abril com excelentes desempenhos de todos os membros. Foi a loucura. Os fãs invadiram o palco. Houve pirotecnia durante o concerto e fogo de artifício. No decorrer do espectáculo, o Rui (baixista) foi eleito presidente de um pequeno país, a Joana (vocalista) descobriu a cura para a estupidez humana e o Bruno (guitarrista) fez contacto com extraterrestres. Eu, entretanto, estava tão distraído a tocar que não dei por nada… Nah! Agora a sério. Demos o nosso primeiro concerto, é verdade, cerca de uma semana depois de escolhermos finalmente um nome para a banda (e é Frank Farka, já agora). A ocasião foi especial, não só por ser a nossa estreia, mas também (e principalmente) porque estávamos a tocar num protesto contra o encerramento da Escola Secundária D. João de Castro. (Procurem no google. Informação sobre isto não falta). A má notícia é que a Escola deve fechar na mesma, apesar dos esforços de muita gente. A notícia menos má é que, da nossa parte, o concerto correu bastante bem. Apesar de ter chovido. Apesar de não ter aparecido mais nenhuma banda. Apesar de ser fim-de-semana prolongado e ter aparecido menos gente do que a organização da vigília gostaria. Na verdade foi um mini-concerto em que só tocámos duas músicas. Mas a reacção foi muito positiva e recebemos elogios de fontes inesperadas. Outra notícia menos má é que, por causa disto, os Frank Farka já apareceram no Jornal do Avante e em alguns sites. É pena é ninguém referir o nome da banda, mas enfim. Eles não perguntaram e nós também não publicitámos. Parece que os jornalistas ainda não são telepatas… olha, não tinha dado por isso e acabei por dar mais uma boa notícia! Os jornalistas ainda não são telepatas! Ufa… Bom, por hoje já chega. Amanhã conto-vos como tem corrido a minha procura por casa… April 12 Atestados da estupidez humana, Parte 2Já estamos habituados a ler sobre o mau estado da justiça em Portugal. Tribunais cheios até às telhas com processos que não avançam, casos que demoram meses, às vezes anos, a serem resolvidos, corrupção, penas mal aplicadas, etc., etc. A lista é infindável e os casos tão frequentes que a maioria de nós já se tornou um bocadinho dormente em relação a isso. “Eh, mais um tipo que ficou 10 meses em prisão preventiva.” “Hm, hm. Pois é. Vê lá o que é que está a dar na Sport TV” “E afinal o gajo estava inocente. Enfim… Olha o Pinto da Costa disse que o Porto é o máior! Quem é que aquele gajo pensa que é?! Filho da….” Mesmo os que não gostam de futebol (como eu) deixam passar estas notícias como se tivesse sido apenas um problema com o televisor. “Olha lá, por acaso deixaste o DVD em repeat? Acho que isto já deu ontem…” Mas, de vez em quando há algumas que me surpreendem verdadeiramente e me deixam com vontade de sair à rua, comprar um alicate bastante grande e ir à caça de alguns tipos para lhes apertar os testículos. O Supremo Tribunal de Justiça, na sua infinita sabedoria, considerou que são “lícitos” e “aceitáveis” os castigos aplicados por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais. Castigos como palmadas e estaladas ou trancar as crianças em quartos escuros quando estas se recusam a comer. Não só os meritíssimos senhores juízes (não escrevo o título em caixa alta porque realmente não merecem a atenção) consideraram estes castigos aceitáveis, como também os proclamaram “normais de um bom pai de família” ou, melhor ainda, que, caso não fossem aplicados, poderiam “configurar negligência educacional”. Já chega? Querem mais? Ok. A responsável em questão tinha sido condenada pelo Tribunal de Setúbal por ter amarrado por duas vezes os pés e as mãos de uma criança de sete anos para que o miúdo não fosse capaz de sair da cama e a acordasse. Provou-se também que a dita cuja fechava frequentemente uma criança que sofria de psicose muito grave, sozinha, na dispensa, sem luz, para que ficasse mais calma. O supremo tribunal de justiça considera isto normal e louvável… …e a humanidade continua estúpida. http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF169835 April 07 Fome de loboAgora ando numa de alinhar em jogos de internet... Primeiro foi a história da cor, agora é um jogo de Lobisomens e Vampiros...
Quem tiver paciência e gosto por jogos de roleplay, façam favor de entrar no jogo. :)
E desculpem lá qualquer dentadinha... Às vezes a fome aperta... April 01 Azulinho de gemaFiz um daqueles testes parvos para saber qual é a minha verdadeira cor... sei lá, enviaram-me o link e, olhem, deu-me para responder... enfim. Aqui está o resultado:
Manel, your true color is Blue!
You're blue — the most soothing shade of the spectrum. The color of a clear summer sky or a deep, reflective ocean, blue has traditionally symbolized trust, solitude, and loyalty. Most likely a thoughtful person who values spending some time on your own, you'd rather connect deeply with a few people than have a bunch of slight acquaintances. Luckily, making close friends isn't that hard, since people are naturally attracted to you — they're soothed by your calming presence. Cool and collected, you rarely overreact. Instead, you think things through before coming to a decision. That level-headed, thoughtful approach to life is patently blue — and patently you!
March 31 (Es)fera de sonhosXiça! Há já mais de 15 dias que não escrevo aqui nada. Mais um esforço e quase batia um recorde qualquer.
Estou em Reguengos a fazer o gabinete de imprensa do Rali TT Esporão. Desta vez não há pinguins, não há ursos polares nem risco de congelamento como em Fronteira. O dia está porreiro e, por enquanto, o trabalho está calminho.
Tenho apenas duas queixas a fazer: Primeiro, ao contrário do que é habitual nesta prova, desta vez não há oferta de garrafinhas de vinho para a malta da comunicação social… o que é uma pena. :-( Uma boa vinhaça é sempre bem vinda.
Segundo, ainda só passei aqui uma noite e já estou com saudades da minha Inês. Como disse um amigo meu depois de a conhecer, “a Inês é mesmo fixe e vocês formam uma parelha, upa, upa! Autêntico dynamic duo”. Bom, realmente contra factos não há argumentos. Completamo-nos. Estou rendido e, ao mesmo tempo, com nova confiança e novas energias.
Há uns dois anos atrás, tive pela primeira vez uma conversa que se repetiu várias vezes depois disso. Sobre as pessoas serem círculos incompletos, círculos por fechar. Sobre a dependência que se criava entre indivíduos, uma dependência que nos impede de crescer, de nos conhecermos melhor, de conhecermos o nosso verdadeiro potencial, de sermos aquilo que realmente somos.
Acho que, como dupla, eu e ela somos dois círculos fechados, sim. Mas, ao mesmo tempo, somos dois círculos que estão dispostos a abrir várias brechas nas paredes da circunferência para deixar o outro entrar, deixar o outro olhar, explorar, conhecer, aprender, ensinar, transmitir, sentir, amar… Por causa disso, muitas vezes somos muito mais do dois círculos separados. Somos um só, muito maior, também ele capaz de abrir algumas brechas para deixar o mundo entrar.
Aliás, ao mesmo tempo que ela continua a encontrar novas brechas nas paredes da minha esfera do “eu”, verifico que o interior está mais definido, mais seguro de si, melhor.
Sou uma (es)fera de sonhos… March 14 Inversus #6Mais um número da Inversus na rua.
Desta vez não escrevi sobre cinema. O meu texto fala de códigos visuais utilizados no dia-a-dia e está na página 14 da revista.
Vejam por vocês mesmos: www.inversus.pt March 08 À procura de casaOk. Isto já não é novidade para muitos de vocês, mas, para aqueles que ainda não sabem, estou à procura de casa. Antes que comecem com as perguntas habituais, digo-vos já que, não, não estou farto de viver no Bairro Alto. E não, não estou zangado com o pessoal com quem vivo. É muito mais simples que isso. Fiz as contas e descobri que pagaria pouco mais por um empréstimo ao banco do que pago por um quarto em casa de um amigo… Sendo assim, prefiro pagar mais uns trocos e ter uma casa só minha, onde posso andar em pelota se me der na gana, onde posso tomar duche com a porta aberta e a música em altos berros e onde posso encher a sala com toda a minha tralha. Obviamente, tenho preferências no que toca a zonas. Não me apetece viver na Pontinha, Benfica, Rebelva, Laranjeiras ou qualquer uma das florestas de betão que proliferam livremente fora do centro da cidade. Fiquei apaixonado pelo Bairro Alto, mas tenho noção de que será difícil arranjar lá uma casa pelo valor que posso pagar. Ainda assim, a esperança é a última a morrer. Alfama, Castelo, Estrela, Lapa, Rato, Campo de Ourique, Santos, qualquer um destes seria genial. Basicamente, quero um sítio em que me sinta em casa mesmo quando saio à rua. Por isso, se alguém souber de uma casa porreirinha em Lisboa, por menos de 80 000 euros, faça favor de avisar. T’óbrigado. March 07 Apanhado num sorrisoDurante todo o jantar pensei que estava a ser minimamente discreto. Que não estava a ser demasiado óbvio. Quer dizer, não me atrapalhei muito, não cometi o erro (comum quando um homem está interessado em alguém) de me promover exageradamente (embora, confesso, o tenha feito um bocadinho), não me colei demasiado, tentei (e falhei redondamente) dar igual atenção às outras pessoas à minha volta… basicamente, pensei que estava a ter um comportamento aparentemente normal. A verdade é que me conquistou com o primeiro sorriso. Um sorriso mágico e genuíno que me tem fascinado todos os dias desde aí. E por muito que eu julgasse estar a comportar-me, parece que afinal fui tão subtil como um elefante a tentar passar despercebido numa loja de cristais. O que vale é que a falta de subtileza foi mútua e só nós os dois é que ainda pensámos duas vezes se nos estávamos a ler bem um ao outro. Mesmo pessoas que só estiveram connosco durante cinco minutos perceberam que alguma coisa se passava. A conversa durou até altas horas. Uma daquelas conversas fáceis, fluidas e sem medos que fazem com que o tempo comece a mexer-se de maneira diferente. Os minutos e os segundos andaram a esvoaçar pelo ar, pequenos e rápidos, com asas tão silenciosas que não os ouvíamos passar. Quando ela se foi embora, o tic toc voltou a soar no meu cérebro. Irredutível, constante. E lá ficou durante os dias que se seguiram. Dias em que sorri por tudo e por nada, dias em que soltei gargalhadas no meio da rua ao lembrar-me dos momentos divertidos daquele jantar, dias em que sentia um arrepio no estômago de cada vez que me lembrava daquele sorriso e do olhar onde me perdi. Uns dias depois do jantar recebi uma mensagem de telemóvel. “O bairro alto hoje é nosso! A que horas te apanhamos?” “Estou por casa. Sou apanhável a qualquer hora”, respondi eu com aparente calma enquanto tentava impedir que o meu coração saísse a voar pela janela. Combinámos encontrar-nos umas horas mais tarde, mas a verdade é que já tinha sido “apanhado” há alguns dias atrás e as primeiras palavras que trocámos só serviram para confirmar isso. Engoli o isco, o anzol, a cana e o barco… E gostei. Por isso, tenho duas coisas a dizer: Primeiro, e mais evidente, tenho de admitir que estava errado quando escrevi o post de 26 de Outubro. Na verdade faltava-me um elemento muito importante (aliás, o mais importante) que era aparecer a pessoa certa. E, assim que ela apareceu, todas as barreiras caíram rapidamente. Segundo, o ano 2006 continua a fazer das suas, a causar distúrbios aqui e ali. Para bem ou para mal, este está claramente a ser um ano de mudança e, quanto a isso, queria deixar aqui a seguinte mensagem: “Exmº Sr. Ano 2006, é com maior respeito e consideração que lhe digo, força, faça o seu pior. Da parte que me toca, já ganhei. Com os melhores cumprimentos, Manuel Moreira” February 21 Medo de ter medoHoje alguém perguntou “quais são os teus medos, Manel?”. É uma pergunta difícil. Ou melhor, a pergunta é simples, mas a resposta, bom… nem por isso. Do que é que tenho medo? O que assombra os meus pesadelos e me faz saltar da cama com o coração aos pulos? O que torna a resposta verdadeiramente complicada é o facto de, até certo ponto, termos de enfrentar esses medos para os reconhecer. É fácil responder “tenho medo de aranhas grandes e peludas”, “tenho medo de alturas” ou “tenho medo de tropeçar numa pedra, bater com a cabeça num poste ferrugento que cai por cima de um carro em andamento, onde vai um homem a comer algodão doce que, por sua vez, voa pela janela atingindo o guarda sinaleiro que ganha assim uma nova cabeleira cor-de-rosa e, num ataque de fúria, me multa por andar com os atacadores desapertados”. Bom, se calhar este último exemplo não é o melhor, mas a ideia é a seguinte: é fácil admitir que se tem medo de coisas óbvias. Acho que as aranhas, cobras e outros bodes expiatórios são medos menores de todos nós. Na verdade, o meu maior medo é um que creio afectar quase toda a gente: o de falhar. E este é um receio que nos pode afectar a tantos níveis… Estarei enganado quando digo que a sociedade funciona muito à base da exploração disso? “Tenho medo de falhar perante os meus pais, por isso luto por uma carreira de sucesso”. “Tenho medo de falhar com os meus filhos e não posso estar com eles porque tenho de trabalhar, por isso compro-lhes uma Playstation”. “Tenho medo de falhar no trabalho, de não poder comprar a Playstation e de não ser aceite, por isso trabalho mais e compro fato e gravata”. Ao falharmos, corremos o risco de não sermos apreciados. Corremos o risco de sermos ignorados e postos de parte, de não termos o carinho e a atenção de que precisamos para manter alguma auto-estima. Diria até que isso se tornou essencial para mantermos um verdadeiro sentido de identidade. Afinal, quer queiramos quer não, o que vemos em nós próprios é muitas vezes um reflexo daquilo que os outros vêm em nós. Um filósofo (terá sido William Hamilton? Não me recordo) afirmou uma vez que “a falta de atenção pode ser a pior forma de tortura possível”. Filtrando os óbvios exageros, creio que há uma ponta de verdade nisto… o que me leva de volta ao princípio. Quais são os meus maiores medos? Em resumo, tenho medo de falhar. Mas, acima de tudo, tenho medo de não ter atenção e carinho por causa disso.
p.s. – Na verdade, não tenho medo de aranhas nem de alturas. Mas não posso dizer o mesmo de tudo o que seja parasita (larvas, carraças, etc.). |
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